Caboclinhos

Caboclinho Sete Flexas – Água Fria – Recife/PE. Fotos: Elysangela Freitas

O estalido seco das preacas anuncia a chegada do Caboclinho ou Cabocolinhos. São índios trajados em luxuosos cocares e tangas de pena de ema que correm e dançam pelas ruas do centro, com suas indumentárias e adereços emplumados e ornamentados com lantejoulas, miçangas e pedras bordadas sobre tecidos de lona, veludo ou lamê, que dão ainda mais cor e brilho ao Carnaval do Recife.

O Caboclinho ou cabocolinho é uma dança dramática de representação histórica relacionada às tradições indígenas, que se apresenta principalmente, mas não exclusivamente, durante o Carnaval. A performance associa dança, música e, em alguns casos, um recitativo.

Os grupos de Caboclinho desfilam geralmente nas ruas, em coreografias complexas, com uma rica variedade de passos. As exibições são geralmente em duas colunas de brincantes que representam tribos indígenas em combate. As duas filas evoluem dançando com passos ágeis, e ao mesmo tempo rodopiam, saltam e se agacham, como se tivessem molas nas pernas.

A música do Caboclinho apresenta uma sonoridade singular e é basicamente instrumental, intercalada por loas e gritos de guerra. O conjunto dos músicos do Caboclinho é identificado como baque, terno, orquestra ou batucada. Uma gaita (ou flauta reta) é acompanhada por instrumentos de percussão como o tarol (caixa de guerra), o surdo ou o bombo, o “caracaxá” ou um ganzá. Alguns grupos utilizam também um atabaque (ou conga), executado exclusivamente no ritmo denominado macumba (ou macumbinha) de índio.

Os brincantes carregam consigo a preaca, adereço/instrumento musical em forma de arco e flecha, em que a flecha ao ser acionada se choca com a face interna do arco de madeira e produz um som característico que resulta em uma marcação coletiva da dança.

A performance e a indumentária diferem entre os grupos, variando de uma região para outra ou às vezes dentro da mesma localidade. A nomenclatura dos personagens também muda, mas em regra encontramos reis e rainhas, curumins, caboclo chefe, mestre, contramestre, casal de caciques, curandeiro, mãe e pai dos curumins, mãe da tribo, pai da tribo, bandeirista, pajé́, pé́ de bandeiras, puxantes, tenente e capitão, caboclo espião, feiticeiro. porta-estandarte, porta-bandeira, caboclo de frente, tapuias, perós, caboclo e cabocla.

Por fim, uma característica importante do Caboclinhos é a profunda vinculação religiosa dos brincantes com o culto da Jurema, fundamentado nas práticas religiosas afro-indígena-brasileiras.

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Grupo fotografado:

Caboclinho Sete Flexas  – Sede do grupo: Travessa Dowsley, 66 – Água Fria, Recife/PE.

Leia mais

Dossiê do INRC do Caboclinho 

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Mário. Danças Dramáticas do Brasil.2 ed. Belo Horizonte: Itacaia; Brasília: INL, Fundação Nacional Pró-Memória, 1982.

AMORIM, Maria Alice,  Patrimônios Vivos de Pernambuco. Recife: FUNDARPE, 2010.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICOS NACIONAL. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br>. Acesso em: 01 dez. 2016.

LIMA, Cláudia. Evoé:história do carnaval – das tradições mitológicas ao trio elétrico. 2aEdição. Recife: raízes brasileiras, 2001.

MAIOR, Mário Souto e SILVA, Leonardo Dantas (orgs). Antologia do Carnaval do Recife. Recife: FUNDAJ, Editora Massangana, 1991.

OLIVEIRA, Maria Goretti Rocha de. Danças populares como espetáculo público no Recife, de 1979 a 1988.Recife: O autor, 1991.

REAL, Katarina. O Folclore no Carnaval do Recife. 2a. edição revisada e aumentada. Recife: FUNDAJ, Editora Massangana, 1990.

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